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sábado, 17 de agosto de 2013

International de Montgolfières - St Jean sur Richelieu

Allo Galera!
 
Estivemos ontem visitando a feira International de Montgolfières na cidade de St Jean sur Richelieu. Bem, para aqueles que já falam um pouco de francês, o nome já diz tudo: "Montgolfière" quer dizer "Balão" (não é bexiga, trata-se de balões onde a gente entra em uma cestinha e viaja pelo céu. Falou o especialista em balões aqui)...
 
 
Voltando ao assunto, St Jean é uma cidade bem interiorana que fica à uns 15 minutos de carro daqui de Candiac. O evento dura uma semana e durante esta semana o aeroporto é fechado e pessoas de vários países e mesmo de várias regiões do Québec vêm expor seus balões e promovem vôos para quem tiver coragem e $200. Muitos balões são temáticos e fazem a alegria da criançada, como o do zôo Granby, que é um elefante; o balão-hidrante, o balão-flor, o balão-pula-pirata, e também o balão-escafandrista, que é pilotado por uma equipe de brasileiros - eba! Os vôos são todos os dias às 6h da manhã e 6h da tarde, conforme as condições meteorológicas. Ontem, infelizmente, as condições não estavam 100% boas pois havia uma chuva nas redondezas e os balões - apesar de inflados - não levantaram vôo. As medidas de segurança aumentaram muito depois que um piloto teve um acidente fatal na última segunda-feira.
 
Além dos balões, a feira também tem um parque de diversões bem legal (pago à parte) e diversas atrações, jogos infláveis e brinquedos (gratuitos), além da tradicional comida do Québec. Experimentamos entrar em um dragão inflável onde os caras ficam assustando a gente lá dentro e é cheio de cadáveres (bonecos, claro), como se a gente andasse pelas entranhas do dragão. Ui, que medo... Dois palcos com espetáculos musicais e humorísticos ficam abertos o dia inteiro. À noite sempre tem um showzão com um artista conhecido. No nosso dia o show foi de Roger Hodgson - Ex Supertramp, que tocou altos sucessos da banda e matou saudades de muita gente.
Bem, os preços são $20 por cabeça durante a semana e $30 no final de semana. Tem um pacote familiar de $50 que inclui 2 adultos e 2 crianças até 12 anos. Acima de 12 anos todo mundo é considerado adulto e paga $20. Crianças abaixo de 3 anos não pagam.
 
Enfim, foi uma experiência bem legal. O interessante é que quando a gente sonhava em vir para o Canadá, tínhamos um livro de turismo que mostrava várias fotos do país e uma delas era do festival, e eu achava uma coisa tão distante.... E de repente, voilà... Estamos lá. Super!
E vamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!
 
Abração e a Paz
Igor Schultz

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Nuit Blanche

Olá, Pessoal!

Agora no dia 25 de fevereiro, para encerrar as festividades do Festival Montréal em Lumiére, aconteceu mais uma Nuit Blanche, onde tudo funciona a madrugada inteira. A maioria das lojas, o metrô, algumas linhas de ônibus que levam o povo para os principais eventos da noite, todos os botecos, e principalmente os museus, que promovem atraçoes especiais gratuitas para o evento.

Este ano, a principal atraçao acho que era o frio, que estava de rachar mesmo!!! Nao dava pra aguentar. A segunda atraçao principal foi o nosso amigo cursilhista que veio do Brasil para estudar idiomas e acabou entrando no embalo da Nuit Blanche, enfrentando quase -10 na noite. No mais, visitamos o museu McCord, de história do Canadá, e o RedPath, de história natural. Ambos da McGill University.
 
No McCord, a atraçao principal era uma escultura que era feita com pequenos bonecos e estatuas de papel feitos pelo proprio publico. A gente chegava, sentava e tinha material à disposicao (cola, tesoura, papel). Entao, à medida que as estátuas iam ficando prontas, elas eram colocadas na mesa e uns caras com lanternas davam vida às esculturas projetando sombras na parede. Junto à isso tudo, um som psicodélico ia tocando... maluquice ou excentricidade cultural, mas muito legal.

O RedPath veio com a tradicional noite escura no museu. A gente entra no museu completamente apagado pra ver os esqueletos de dinossauros no escuro e outros bichos mais. Tinha também a linha do tempo da evoluçao humana. Para quem gosta, o primeiro crânio da foto é do Australopitecus afarensis, que faria um sucesso em propaganda de creme dental. A foto abaixo é do Gorgossaurus libratus, bem menor que um Tiranossaurus rex, mas também dá medo. Tem um crânio de Triceratops do tamanho da minha cozinha... Além disso, tem múmias, animais empalhados e artefatos antigos (vasos, utensílios) da Grécia e Roma antiga. Prato cheio pra quem gosta. Super legal! A maior atraçao é a fila de entrada, que chegou a levar 40 minutos, a -10 graus... Só pra quem tem muita vontade mesmo, mas vale a pena. Atençao: a entrada aqui nao é de graça. Tem que dar uma pequena contribuiçao, mas nao é de graça.

No final, demos uma passada no Tim Hortons para esquentar um pouco a noite e fomos até Place des Arts, no Quartier des Spetacles, onde tava rolando uma rave a céu aberto. Tudo era gigante: roda gigante grátis, toboga (glissade) de gelo gigante e filas gigantes. Entao, resolvemos dar um alô e sartar de banda. Mas tava muito legal. Fiquei sabendo também que neste ano teve nataçao à noite toda nas piscinas do estádio olímpico, mas eu nao fui lá.... pena...

E seguimos com passos culturalmente firmes de quem sabe onde quer chegar.

Abraçao e a Paz


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Remembrance Day

Olá, Povo de Deus

No mês de novembro, no Brasil, comemoramos o dia de Finados (dia 2), onde lembramos os nossos queridos que não estão mais entre nós. Aqui no Canadá também existe uma celebração semelhante: o Remembrance Day. No entanto, durante todo o mês de novembro os canadenses recordam das pessoas que se foram em decorrência da guerra. Do dia primeiro até o dia 11, as pessoas se lembram. Para indicar que elas estão se lembrando, elas utilizam na lapela o coquelicot (ou poppy, em inglês, ou ainda a amapola, em português). Esta flor era abundante nos campos de guerra europeus, onde florescia com seu vermelho notável. E, é claro, remete ao sangue dos mortos na guerra. 

Usar a flor indica que elas perderam algum ente querido na guerra (Afeganistão, por exemplo), ou simplesmente são solidárias aos veteranos de guerra, cujo sustento também é mantido, em parte, pela venda dos coquelicots. Assim, todo mundo ajuda. O ponto culminante é o Remembrance Day, dia 11 de novembro (mês 11), às 11h. Aí se comemora o final da primeira guerra mundial (1918), em todos os países de origem britânica, não somente no Canadá.

O Canadá possui um respeito gigantesco pelos seus veteranos de guerra, e a gente os vê na rua utilizando a flor e a oferecendo para outros utilizarem, muitas vezes em troca de algumas moedas. Vi um casal vendendo em um shopping e fiquei tocado ouvindo suas histórias. Aqui em Montréal, todo mundo usa. As pessoas públicas, principalmente, devem mostrar que se importam, e têm que usar: apresentadores de TV, políticos, esportistas, etc.

Segue abaixo um poema muito legal que encontrei sobre o Remembrance Day. Vale a pena ler.

Please wear a poppy," the lady said
And held one forth, but I shook my head.
Then I stopped and watched as she offered them there,
And her face was old and lined with care;
But beneath the scars the years had made
There remained a smile that refused to fade.

A boy came whistling down the street,
Bouncing along on care-free feet.
His smile was full of joy and fun,
"Lady," said he, "may I have one?"
When she's pinned it on he turned to say,
"Why do we wear a poppy today?"

The lady smiled in her wistful way
And answered, "This is Remembrance Day,
And the poppy there is the symbol for
The gallant men who died in war.
And because they did, you and I are free —
That's why we wear a poppy, you see.

"I had a boy about your size,
With golden hair and big blue eyes.
He loved to play and jump and shout,
Free as a bird he would race about.
As the years went by he learned and grew
and became a man — as you will, too.

"He was fine and strong, with a boyish smile,
But he'd seemed with us such a little while
When war broke out and he went away.
I still remember his face that day
When he smiled at me and said, Goodbye,
I'll be back soon, Mom, so please don't cry.

"But the war went on and he had to stay,
And all I could do was wait and pray.
His letters told of the awful fight,
(I can see it still in my dreams at night),
With the tanks and guns and cruel barbed wire,
And the mines and bullets, the bombs and fire.

"Till at last, at last, the war was won —
And that's why we wear a poppy son."
The small boy turned as if to go,
Then said, "Thanks, lady, I'm glad to know.
That sure did sound like an awful fight,
But your son — did he come back all right?"

A tear rolled down each faded cheek;
She shook her head, but didn't speak.
I slunk away in a sort of shame,
And if you were me you'd have done the same;
For our thanks, in giving, if oft delayed,
Thought our freedom was bought — and thousands paid!

And so when we see a poppy worn,
Let us reflect on the burden borne,
By those who gave their very all
When asked to answer their country's call
That we at home in peace might live.
Then wear a poppy! Remember — and give!
E vamos seguindo com passos firmes, de quem sabe onde quer chegar.

Forte abraço e a Paz
Igor Schultz

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ressemblez-vous au Québécois Typique?

Olá, Pessoal!

Na minha última aula de francês rolou um exercício de diálogo com o tema "Você se parece com um típico québécois?" No final das contas, o que foi mais divertido foi saber como seria um québécois típico. Aí vão algumas dicas, para você saber como está o seu nível de "québécoização"...

  1. Avez-vous l'habitude de faire la bise à vos amis? Você costuma beijar seus amigos? Nós no Brasil temos este costume quando cumprimentamos pessoas de sexo diferente, mas o restante do povo do Canadá é mais formal. Então, a resposta é SIM (1 ponto);
  2. Pouvez-vous chanter une chanson en français? Você sabe cantar uma canção em francês? Já sabíamos algumas canções quando estudávamos francês no Brasil... Mais um SIM (1 ponto);
  3. Vous interessez-vous aux relations Canada-Québec? Você se interessa pelo relacionamento do Canadá com o Québec? É importante se interessar, pois apesar de os caras acharem que isso aqui é um país, ainda estamos no Canadá... Então, SIM, mais 1 ponto;
  4. Parlez-vous du temps qu'il fait avec vos voisins? Você comenta sobre o tempo que você passou com seus vizinhos? Bem, não é que os caras aqui são fofoqueiros, mas gostam de falar bastante. Eu já não falo muito, mas falo do mesmo jeito, então, SIM (1 ponto);
  5. Étes-vous déjà allé à la cabane à sucre? Você já foi à cabana à sucre? A cabana à sucre é um tipo de lugar turístico aberto principalmente na primavera, quando a famosa árvore Érable (Maple), cuja folha é o símbolo do Canadá, permite a retirada do Xarope gostoso e doce. Nunca fui, mas minhas crianças já foram no passeio da escola. Mas mesmo assim, não marco pontos...
  6. Avez-vous déjà lu un romance québécois? Você já leu um romance québécois? Todo mundo aqui parece que lê o tempo todo. Porém, eu vejo gente lendo livros em todas as línguas. Estou lendo livros em francês do Québec, mas nenhum romance ainda. Então, não marco pontos...
  7. Êtes-vous abonné au journal La Presse? Você é assinante do jornal La Presse? Este é tipo a Gazeta do Povo do Québec. Porém, como tem jornal do Metrô e 24h que são de graça, não assino. Não marco pontos...
  8. Songez-vous à passer vos hivers en Floride? Você pensa em passar seus invernos na Flórida? Todo mundo aqui tá sempre viajando para a Flórida ou Caribe. É muito barato e dá pra ir, ficar uma semana e voltar. Eu, particularmente, gostaria de ir porque nunca fui, mesmo estando no Brasil, então, SIM (1 ponto);
  9. Avez-vous des amis francophones? Você tem amigos francófonos? Tenho meus colegas de trabalho. Fora isso, ainda só tenho amigos brasileiros. Então, vou considerar NÃO (não marco pontos...)
  10. Vous inquiétez-vous des mauvaises performances du club de hockey Canadien de Montréal? Você fica irritado com as más apresentações do time de hockey Canadien de Montréal? Esse time é que nem o Paraná Clube: azul, vermelho, branco, só perde, e todo mundo ama. Eu não fico irritado porque sei que esse time sempre perde, mas não entendo como os caras aqui conseguem ficar ainda torcendo... isso me irrita... então, SIM (1 ponto);
  11. Assitez-vous au défile du 24 juin? Você assiste ao desfile de 24 de junho? É a Festa Nacional do Québec. Ponto alto do nacionalismo québécois... Este ano ouvi falar que estava muito bonito, mas não fui assistir. É como o desfile de 7 de setembro. Então, NÃO (não marco ponto);
  12. Mangez-vous réguliérement du patê chinois? Você come regularmente o patê chinois? Este prato já foi preparado pelo que vos fala, é muito apreciado aqui. Porém, esta vez que eu cozinhei foi a única que comi. Então, NÃO (não marco ponto);
  13. Avez-vous déjà goûté à la poutine? Você já experimentou a poutine? A poutine é um prato de batatas-fritas com molho que todo mundo adora. Tem até um MacPoutine no MacDonalds. Mas eu, nunca comi. Não marco ponto;
  14. Êtes-vous fávorable à l'union-livre? Você é favorável à união livre? Este é um tema muito polêmico e não é o objetivo de nosso post causar polêmica. Posso dizer que o homossexualismo é muito mais aceito aqui no Québec do que no Brasil, por exemplo. Neste quesito, no entanto, não marco ponto...;
  15. Passez-vous vos étés sur les plages du Maine? Você passa seus verões nas praias do Maine? É um estado americano que faz divisa com o Québec que parece ter umas praias muito bonitas... Mas ainda não fui lá.. Então, NÃO marco ponto...
  16. Vous plaigner-vous de l'hiver? Você reclama do inverno? O inverno passado foi bem legal e não reclamei. Então, NÃO marco ponto... mas foi meu primeiro... ehehe
  17. Allez-vous au chalet chaque fin de semaine? Você vai ao chalé todo final de semana? Nem tenho chalé, então, NÃO marco ponto;
  18. Songez-vous à demenager le 1er julliet de chaque année? Você pensa em se mudar todo ano em primeiro de julho? Isso porque a maioria dos contratos de aluguel vence em 31 de maio. A gente pensa em se mudar realmente o tempo todo.... Então SIM (1 ponto);
  19. Avez-vous deux enfants ou moins? Você tem 2 filhos ou menos? Isso porque os caras aqui não gostam de fazer filhos e reclamam que a taxa de natalidade está baixa, ehehe.... Eu tenho 3 filhos e 1 já é québécois. Então, eles não podem me cobrar, uhu! Mas NÃO marco ponto;
  20. Prenez-vous votre café du matin dans le métro ou dans la voiture? Você toma o café da manhã no metrô ou no carro? Não. Eu tomo meu café em casa.... NÃO marco ponto.
Bem, meu resultado como québécois é: 7/20... Não sou tão québécois assim ainda....

Vamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!

Abração e a Paz

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Imigração: Uma Ameaça à Cultura do Québec?

Olá, Povo de Deus

Esta semana saiu o resultado de mais uma pesquisa realizada internamente no Québec sobre o impacto da imigração sobre a cultura do Québec... A maioria dos nativos acredita que a imigração é uma ameaça à cultura québecoise (42%). Porém, muita gente também (39%) ache que a imigração está ajudando a enriquecer a cultura local. Bem, os locais mais xenófobos foram as cidades com pouco fluxo imigratório, como Sainte-Agathe-des-Monts, próximo ao parque nacional de Mont-Tremblant. As localidades que mais aceitam os imigrantes são as municipalidades de Outremont e Ville Mont-Royal (65%, ambas anglófonas), aqui em Montréal. Particularmente, estávamos discutindo esta questão em um jantar neste feriado de Ação de Graças aqui, e em minha empresa, existem 2 pessoas nascidas no Québec e mais de 30 que são imigrantes. Tem gente de tudo quanto é lado... E se eu puder dar uma opinião humilde, o que vejo aqui em Montréal é que o único esforço de aculturamento dos imigrantes é aprender o francês. E olhe lá. De resto, cada um vive conforme a sua cultura, ou existe uma miscigenação de culturas, o que é o mais provável que aconteça em um país aberto à imigração. O Québec é como o Brasil há 200 anos atrás. Se olharmos para o nosso país agora, o que sobrou dos portugueses e indígenas? Pouca coisa, pois sua cultura foi misturada com a dos povos imigrantes, em sua maioria europeus, africanos e asiáticos. Então, hoje vivemos no Brasil o que acredito que acontecerá no Québec daqui a alguns anos. E não serão 200 ou 300 anos, mas poucos anos, pois hoje em dia as coisas acontecem muito mais rápido. E aqul a maioria são indianos, chineses e árabes.

A pesquisa foi realizada com pessoas entre 40 e 59 anos. O curioso é que a maioria das pessoas entrevistadas (47%) admite se sentir feliz caso seu filho(a) venha a se casar com um cônjuge de uma outra cultura. 44% dos que responderam esta questão admitem que uma união intercultural é perigosa...

E vamos seguindo com passos firmes, cada vez mais multiculturais, de quem sabe onde quer chegar!

Abração e a Paz