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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Toronto ou Montréal?

Olá, Povo de Deus

Enquanto estivemos em Toronto e arredores na Páscoa, nao pudemos deixar de conversar com os nossos amigos sobre as impressoes do local, pois sempre temos uma pulguinha atrás da orelha sobre ir morar no lado inglês do Canadá. Nesta viagem de Páscoa, colhemos algumas impressoes sobre o assunto, que eu gostaria de compartilhar no intuito de ajudar aos que possam estar decidindo em qual cidade morar. É claro que tudo o que nós vimos é filtrado pelas nossas opinioes e valores, assim, algo que pode ter valor para nós pode ser diferente para outra pessoa, e é isso que faz cada um de nós especiais e únicos, nao é mesmo? Mas vamos lá:

A primeira impressao já temos quando cruzamos a fronteira de Québec para Ontario: a estrada muda completamente de um asfalto esburacado para um concreto claro e novinho. Nao sei o que acontece, mas realmente toda a malha viária é melhor conservada.  Dentro da cidade, achamos ruas limpas, com sinalizaçao bem pintada no chao e placas, bastante orientaçao. Hoje estávamos voltando da Igreja e percebi que a maioria das ruas do centro de Montréal nao têm sinalizaçao pintada no chao, ou a sinalizaçao é bem antiga e nao foi repintada. Quase sumiu. Porém, por outro lado, vemos grandes expressways com 5 pistas, e até pistas, mas que, de acordo com o povo local, ficam entupidas e engarrafadas em horários de pico. Imaginem a quantidade de gente para entupir uma via de 6 pistas... Nao é brincadeira nao. E a cidade de Toronto é um sonho. Achei tudo muito organizado, limpo, sinalizado, e, principalmente, nao tem esse monte de obras e cones nas ruas que temos aqui em Montréal. Realmente o povo "torontense" parece cuidar (ou se importar) mais com este aspecto estético.

Por isso, é necessário usar o transporte público, e entramos em um outro ponto: ouvimos falar muito mal do transporte público local. Eu pessoalmente utilizei o metrô quando estive trabalhando em Toronto e achei as estaçoes muito antigas, bem como os trens, que sao bem mais lentos, se comparados aos de Montreal, e levei quase 1h para ir do centro a North York, que fica à aproximadamente 14km do centro. O pessoal que mora nas cidades das redondezas, como Whitby, Mississauga e Oakville, conta com uma infraestrutura maravilhosa para se viver e as cidades sao muto bonitas e tudo parece novo. Para ir à Toronto usando o transporte público existe o GoTrain, que é parecido com o Train de Banlieue daqui. Porém, fui informado que um passe de GoTrain mensal pode custar até 250 dólares. No meu caso, 4 pessoas, eu pagaria 1000 dólares pelo passe mensal. Fica difícil de vir a Toronto todos os dias. Uma das famílias que visitamos está se resolvendo em sua própria regiao, onde o marido e a esposa arrumaram trabalho e as crianças frequentam a escola local. Ou seja, tudo na própria regiao, como já dizia o arquiteto curitibano Jaime Lerner. Vale lembrar que aqui em Montréal, as tarifas também possuem valores que variam conforme à distância do centro, indo até 232 dólares para os destinos mais distantes. Esta tarifa no entanto inclui metrô e ônibus.

Falando em escolas, claro, fica muito mais fácil de encontrar vagas em escolas de todos os níveis se você morar no subúrbio. Tivemos informaçoes sobre o DayCare, onde aparentemente é muito mais difícil de se conseguir uma vaga na regiao de Toronto, mesmo na rede privada. Porém, se você for para as cidades mais longe, fica mais fácil, pois a demanda é menor. Achamos legal que nas escolas de Toronto se canta o hino do Canadá e nas escolas católicas os alunos também fazem oraçao e vao à missa uma vez na semana. E isso na escola pública! Jamais isso será imaginado aqui em Montréal, onde é necessário haver igualdade de crenças e nenhuma religiao pode ser imposta ou mesmo sugerida pelo estado.

Aluguéis: soubemos que é possível morar, por exemplo, em North York, por quase 2 mil dólares por mês em um apartamento do tamanho do nosso aqui. (3 quartos, 2 banheiros). Aqui, há 5 minutos de carro do centro, pagamos pouco menos de 1.500 dólares. Para pagar isso teríamos que morar talvez em Oakville, que fica a aproximadamente 40km do centro de Toronto. Lá, pelos mesmos 2 mil dólares, soubemos que é possível alugar um casao com 4 quartos, basement, garagem coberta, etc. Mas 40km é quase a mesma distância de Montréal à Saint-Jerôme, ou seja, muito longe. Para nós, que gostamos de morar perto do centro, acaba sendo melhor ficarmos por aqui mesmo.

Enfim. como falamos, foi um monte de informaçao que pode ser útil para as pessoas que estao decidindo sobre onde morar, e cada um tem a sua opiniao com base naquilo que tem valor para si. Como opiniao pessoal, Toronto se parece mais com os EUA e Montréal é uma cidade com características européias. Pra mim, Toronto parece o fervo do trabalho contra a vida pacata de Montréal, ou ainda como comparar Sao Paulo e Curitiba, onde morávamos. Ainda existe a questao cultural de Montréal, onde o agito está sempre acontecendo e sempre tem coisa pra fazer. Particularmente, nao gosto dos imóveis duplex ou triplex de Montréal com aquelas escadinhas de ferro na frente, e nao vi nada disso em Toronto. Por outro lado, estar aqui pertinho do centro também é muito importante pra nós, por causa das crianças, das universidades que sao todas no centro, e do meu trabalho. Assim, acabamos ficando por aqui, por enquanto...

E vamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!
Abraçao e a Paz

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Primeira Nevasca em Montréal

Gente, hoje quando saí do trabalho, me senti no filme "O Dia Depois de Amanhã". Saí do trabalho 4h30 e cheguei em casa às 7h00. Uma ventania e uma neve que batia na cara da gente que nem areia e fui pro ponto de ônibus pra ir pra casa. Depois de uma hora, nada do ônibus 168, resolvi arriscar pegar o metrô para a estação LaSalle e pegar o 12. Tinha uns colegas brazucas no ponto e acabaram me seguindo e sugeriram da gente pegar um taxi e dividir. Ligamos, mas nada do danado aparecer. E a neve subindo... A gente ficou na estação esperando chegar o ônibus, assim como toda a torcida do Grêmio. E quando o bicho chegou, todo mundo se atropelou para pegar o ônibus, mas acabaram fazendo fila e foi tudo tranquilo...
Chegando em casa, tive de sair para comprar coisas para a família, que chega amanhã... E dirigi pela primeira vez no meio da nevasca. Não há mais ruas, calçadas, grama, nada. Só há uma coisa branca que cobre tudo... O carrinho vai patinando mas vai se virando, e ninguém anda a mais de 30 por hora... Quando saía para fazer alguma coisa a pé, atolava até o joelho na neve! "Que feliz que soy"...
Mas o melhor de tudo foi no final. Eu troquei de carro com um colega, pois o carro dele é grande e cabem as malas do povo amanhã... E perguntei: "Olha, vocês acham que sempre pode nevar mais, que isso é só o começo, mas hoje foi um dia ruim, né? Realmente ruim.." Queria que ele me dissesse que "sim, hoje foi um dia atípico até para os padrões montrealeses..." e ele virou e me disse: "Que ruim nada! Este é meu primeiro inverno aqui também e estou adorando. Foi por isso que viemos aqui, não?" E fiquei pensando, realmente, temos que curtir tudo, pois o inverno também é uma coisa diferente. E olhando lá pra fora agora, vejo que é uma coisa que não é qualquer um que poderia ter contato.
E agradeci a Deus pelo meu amigo ter me falado aquilo.
E seguimos com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!!!
Abração e a Paz

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Primeiro Dia em Montréal

Bom dia!

Seguindo a série "postagens com uma semana de atraso", seguem as novidades do primeiro dia de vida em nosso novo lar:

Estou hospedado na casa de amigos, que gentilmente me cederam o quarto do bebê. No primeiro dia, acordei com calor, pois os aquecedores (chauffage) do apartamento são bastante eficientes, e a gente fica realmente suando... Lá fora estava muito frio, mas o dia amanheceu com céu limpo, sem nuvens, então, resolvi sair para uma corridinha. Foi uma grata surpresa... O lugar onde estamos aqui é muito bonito, e tem pistas de corrida em meio a bosques de maple, tudo amarelinho e vermelho. Muitos esquilos correndo pela floresta. O cara aqui ficou impressionado... Bem, posso dizer que a primeira impressão foi "romântica".

Depois da corrida, fui para o centro fazer a primeira coisa que todo o imigrante deve fazer: o Social Insurance Number (SIN), ou Numéro d'Assurance Social (NAS). É uma espécie de CPF, que lhe dá direito a um monte de coisas. E para trabalhar, os recrutadores costumam pedir o primeiro número do NAS para saber o seu status como imigrante. O número "9" não é bem visto aqui, pois é visto temporário, ou seja, você pode ser um refugiado, e tem muito disso aqui. O meu número - confidencial - começa com "3" - residente permanente. Para fazer o NAS, bastou eu ir no Service Canada. Tem vários escritórios espalhados pela cidade. Eu fui no centre-ville (200 Blvd René Levesque ouest). Fui atendido prontamente, sem filas, e em menos de 10 minutos já estava com o NAS. Não perguntaram nada do CSQ.

Então, mais uma novidade: aqui as grandes ruas e avenidas possuem o título de "Est" e "Ouest", e para quem não está acostumado, isso pode ser um desperdício de tempo. Então, caminhei até o número 200 da René Levesque para descobrir que ele não existia, porque eu estava indo na direção "Est". Tive que voltar até o zero e começar tudo de novo na direção "Ouest"...

A primeira impressão foi a do transporte público. Aqui, você paga por tempo de uso, e não por viagem. Então, custa $2,75 por 2h de transporte. Neste período, você pode usar o que quiser: ônibus (autobus), metrô (metro), e acho que até o trem (train de banlieue). Então, já comprei um cartão para 1 semana, que me saiu $18. Por este preço, ando quantas vezes quiser durante a semana toda. Quando já estivermos com a rotina por aqui, também posso comprar o passe mensal, que custa $70 e vale do primeiro ao último dia do mês.

No centre-ville, muitas obras. Parece que a cidade inteira está em reforma. Os prédios são muito antigos (exceto os do governo, que são novos), e em cada esquina existe um lugar para alugar bicicletas e existem ciclo-faixas (pequenas ruelas sinalizadas onde só andam bicicletas) por todas as ruas. Você passa o cartão de crédito e por $5 você anda meia-hora. Isso é caro, mas se você comprar um cartão para toda a temporada (março a novembro), custa só $78. Você pode alugar só por meia-hora também, mas um colega aqui de Montréal disse que você deixa a bici em outro quiosque antes que complete-se a meia-hora e pega outra. Enfim, este transporte não é para passear. É para se deslocar rapidamente no centre-ville e outros lugares de Montréal. Sempre ao lado das estações de metro tem um quiosque de bicicleta.

A segunda atividade do dia foi me inscrever no sistema público de saúde (Régie d'Assurance Maladie). Lá a gente passa por uma rápida triagem, então, recebe uma senha e fica aguardando. Eles nos chamam e a gente vai para o guichê ser atendido. A mulher pediu o CPR (segunda-via do comprovante de residente permanente, que entregam no aeroporto) e o passaporte. Pediu também o CSQ (lá vem o golpe.... pensei). Então, falei: não tenho! E ela disse "tudo bem. Vou colocar aqui que você não tem". E precisava também do comprovante de endereço. Como ainda não tenho endereço, ela disse que este documento ficou pendente e que eu precisaria enviar um fax posteriormente para eles com uma declaração solene autenticada, com o meu hospedeiro aqui de Montréal dizendo que eu realmente resido com eles. Aqui é mais fácil, pois bancos, repartições públicas, universidades, delegacias de polícia, muitas repartições que têm fé pública podem ser usadas para autenticar assinaturas. Então, o meu hospedeiro foi depois comigo ao banco e assinou na frente do atendente. Este, por sua vez, assinou também e colocou o carimbo. Daí, enviei mais tarde por fax para eles. Espero que esteja tudo certo. O cartão de Assurance Maladie leva 3 meses para chegar.

E assim, houve uma tarde, uma manhã, primeiro dia... E seguimos com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!!!

Abração e a Paz