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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Escola Secundária no Québec: Fim da História

Boa noite, Povo de Deus

Para entender este post, será necessário antes ler o dossier completo sobre a educação secundária do Québec. No final deste post, a gente dizia que as crianças tinham conseguido suas vagas na École F.A.C.E. na comissão escolar de Montréal (CSDM), mas que estávamos esperando a aprovação da comissão escolar quando as crianças tivessem seus boletins indicando que foram aprovados para o regular.
 
Bem, voltei no início do ano à F.A.C.E. para verificar como estava a situação e tudo foi confirmado novamente. Então, recebi uma ligação desta escola no início de junho para me pedir o pagamento das taxas escolares de CAD$ 419,00 para cada um. Então, fui visitar a escola, pois a última notícia que tinha era que eles nem haviam sido aprovados pela comissão escolar. Então como a escola estaria me pedindo as taxas? Chegando lá, me deparei com duas situações inesperadas: o quadro de funcionários da escola mudou completamente! Desde o diretor até todos os funcionários administrativos tinham sido trocados. E então veio a segundo novidade: só o Matheus havia sido aprovado para entrar. A Thabata não havia conseguido a vaga. Então, perguntei sobre o que havia sido acordado, levei os comprovantes de aprovação dos dois alunos, mas ninguém lembrava ou sabia do que havia acontecido (!!!!), mesmo com os comprovantes!!! Questionei o porquê do Matheus ter sido aceito, já que ambos não haviam sido aprovados pela comissão escolar, e comecei a ser questionado quanto à vaga dele. Me perguntaram: "Como que seu filho foi aprovado se não existe o acordo com a comissão escolar?" Eu falei: "Não sei! Essa pergunta sou eu quem tenho que fazer!!!". Então, de uma situação onde tudo estava resolvido, passamos a ficar com medo da Thabata simplesmente não ter onde estudar! Ficamos surpreendidos e impressionados sobre como tudo mudou de uma semana para a outra...
 
Então, como que em um milagre na semana seguinte, quase já no finalzinho de junho, nos ligaram do Collège Saint-Louis, uma das melhores escolas do Québec, e a escola que as crianças haviam amado quando tinham ido na journée portes-ouvertes. Eles queriam uma entrevista com os nossos filhos.  Marquei para terça da próxima semana. As crianças foram e fizeram um teste junto com várias outras crianças, onde o objetivo era fazer uma apresentação sobre mostrar o valor da educação para os pais. De acordo com o que disseram nossos filhos, os candidatos simplesmente se calaram e eles acabaram tendo que liderar a discussão e até apresentar o resultado. Enfim, no outro dia me ligaram dizendo que eles haviam sido aprovados. Da desesperança à alegria total em uma semana! Fizemos as matrículas e atualizamos a documentação das crianças na escola e eles começaram a estudar no final de agosto. Como sempre, claro, amando a escola e tudo mais. A logística era meio complicada: como já morávamos em Candiac, em nossa casa nova, eles acordavam às 6h, pegavam ônibus na esquina de casa às 6:45h, pegavam o trem 7h, desciam em LaSalle e pegavam um outro ônibus para chegar na escola 7:40 mais ou menos. E para voltar, outra novela igual, mas em sentido inverso... Porém, estava valendo à pena. O Matheus chegou até a ajudar na journée portes-ouvertes da escola e os professores aprenderam logo a gostar dos dois...
 
Na metade de setembro, o colégio nos liga perguntando se havíamos mudado para Candiac. Falei que sim, pois havíamos comprado uma casa. A mulher do outro lado da linha me diz: "Então seus filhos não estão mais autorizados a estudar nesta escola, pois Candiac fica fora de nossa comissão escolar. Você tem até o dia 30 de setembro para conseguir um acordo (entente extraterritorial) com a sua comissão escolar de modo que eles possam estudar aqui". Gente, eu estava na empresa, sentei na cadeira e tive um sentimento de cansaço imenso, pois achava que tudo estava resolvido, e de uma semana pra outra, desolação total... Fomos na Comissão Escolar des Grandes Seigneuries (CSDGS), que atende nossa região, para pedir a autorização, alegando o fato de que o Collége Saint-Louis era a única escola que havia aceitado as crianças no terceiro secundário vindo da classe d'accueil.
 
E ficamos esperando. Aí então, vim a descobrir que o ministério da educação do Québec tira uma foto de todas as escolas no dia 30 de setembro, para distribuir uma verba para o ano com base na quantidade de alunos. Assim, nossas chancer diminuíram bastante, pois eles certamente iriam querer ficar com mais dois alunos para ter mais grana para a comissão escolar. Então, o diretor da CSDGS me ofereceu a École Fernand-Ségun, à duas quadras de nossa casa, onde cheguei à matricular as crianças. Mas bati o pé e disse que a escola não era internacional e que a gente sairia perdendo. Assim, o diretor me ligou para levar as crianças para uma entrevista na École de la Magdeleine, com currículo internacional, e disse: "se a diretora da escola aceitar seus filhos, eles terão de ficar em nossa comissão escolar. Se ela não os aceitar, achando que não poderão acompanhar, eu te dou o acordo de transferência e seus filhos poderão continuar no Collège Saint-Louis". Bem, é óbvio que se as crianças foram aprovadas na melhor escola do Québec, seria tranquilo deles serem aceitos nesta escola.
 
A diretora fez uma entrevista com eles, onde não foi possível avaliar muita coisa, na minha opinião, e fiquei até com a sensação de que o negócio estava armado para ficarem mesmo com o dinheiro do ministério de educação e também com nossas taxas de inscrição. Claro que, no final, o diretor me ligou e disse: "seus filhos foram aceitos e podem estudar no terceiro secundário de nossa escola". Então, acabamos perdendo a briga e as crianças foram estudar na École de la Magdeleine. Agora, estão já adaptados e estão gostando. A escola é enorme, com 3.200 alunos (normalmente as escolas aqui têm em torno de 500 alunos) e lembra um pouco as escolas do Brasil. As vantagens são que a aula começa mais tarde e as crianças podem dormir mais. Além disso, o ônibus é gratuito e é o ônibus amarelinho que a gente vê nos filmes (novidade para as crianças, ehee.)... o ônibus pega eles na esquina e devolve na porta de casa.
 
Enfim, a principal lição aprendida foi essa tal data de 30 de setembro. Se a gente deixasse para comunicar a mudança do endereço depois do dia 30, a comissão escolar seguramente daria a carta de transferência, pois nunca iriam querer mais dois alunos sendo que o valor a ser distribuído pelo governo já tinha sido calculado. Espero que esta informação ajude os outros que estão chegando à escolher um local perto de uma boa escola e também na hora da mudança...
 
E vamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!
Abração e a Paz

terça-feira, 6 de março de 2012

Ajuda Financeira do Québec aos Estudos

Olá Pessoal!

Este governo do Québec é uma mae, mesmo... A última novidade foi a ajuda financeira aos estudos (AFE). É um incentivo que o governo dá para as pessoas que estudam em tempo integral e possuem filhos com menos de 6 anos. O governo entende que, como estas pessoas nao podem trabalhar, visto que precisam cuidar dos filhos, elas precisam receber dinheiro para estudar, de modo a poder colocar seus filhos nas garderies, daycares, ou creches. A Cris aplicou e conseguiu receber o dinheiro, que vem parceladinho enquanto durar o curso. Vamos colocar alguns detalhes do negócio aqui:

Primeiro, é importante saber que a ajuda financeira é composta de dois valores. Um empréstimo e uma bolsa. O empréstimo deverá ser devolvido no final do curso, mas a bolsa é um dinheiro só seu. É o seu salário por estudar. A coisa funciona assim:
  1. Você precisa estar cursando disciplinas que dao direito a créditos estudantis. Pode ser qualquer curso em universidades conveniadas. No caso da Cris, a McGill University. É necessário fazer disciplinas que deem um minimo de 6 créditos por período de curso. Como cada disciplina do curso de inglês part-time dava 3 créditos, a Cris está fazendo 2.
  2. Entao, você deve procurar a secretaria responsável pela ajuda financeira. No caso da McGill, fica na Rue McTavish. Uma subida contra o vento gelado da montanha (Mont Royal) que a gente só sobe porque se trata de receber dinheiro. E o prédio ainda é o último da rua. Na secretaria, você será informado dos procedimentos e recebe os formulários do governo.
  3. Você deve preencher os formulários e entregar junto diversos documentos informando sua situaçao: certidoes de nascimento dos filhos (nao precisa traduçao), IMM1000 (papel marrom da imigraçao), PR-Card (carteira de residente permanente), Carteira de Assurance Maladie (seguro-saúde do governo), entre outros. Tá tudo explicadinho no manual que você recebe na instituiçao de ensino.
  4. Depois de tudo preenchido e a documentaçao providenciada, leve tudo para a mesma secretaria da instituiçao de ensino onde você recebeu os formulários. Eles precisam avaliar se o formulário foi corretamente preenchido e se a documentaçao está correta. Leve fotocópias e originais da documentaçao, pois eles precisarao autenticar na hora;
  5. Depois de verificado na instituiçao de ensino, enfia tudo em um envelope e mande para o governo, no endereço indicado no manual;
  6. Você pode acompanhar o andamento do processo se cadastrando no "Dossier en-ligne" (registro on-line) no site da AFE. Para se cadastrar, você precisa ter um código permanente de aluno, que é atribuído a você pelo governo do Québec. Este código é fornecido pela instituiçao de ensino.
  7. Um belo dia os caras mandam um e-mail dizendo que você vai receber dinheiro. Leva de 4 a 6 semanas. Entao, eles avisam que o seu certificado de aprovaçao para receber o valor está disponível na instituiçao de ensino. Vá lá buscar...
  8. Com o certificado, você pode ir aos bancos conveniados: Royal Bank of Canada (RBC), Caisse Populaire Desjardins, Banque de Montréal, Banque Nationale, e abrir uma conta de estudante. Nao paga nada. Você ganha a conta, uma poupança, um cartao de crédito, e o banco já informa o governo sobre a sua conta. Em alguns dias, o dinheiro entra. Porém, quem faz o empréstimo é o banco. A bolsa é paga pelo governo e o dinheiro é seu, mas o empréstimo precisa ser devolvido posteriormente ao banco.
E eu estou orgulhoso, pois a Cris foi ao banco e abriu a conta sozinha! Tudo em inglês, que tal....

E vamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!

Abraçao e a Paz

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Educação Secundária no Québec: Dossier Completo!

Olá, Pessoal

Finalmente, depois de ter passado todas as perrengas que nós deveríamos ter passado, depois de ter aberto muitas portas por aqui, depois de ter levado chibatadas, açoites de tudo quanto é lado, de ser crucificado, veio a parte boa do negócio: nossos filhos adolescentes estarão no TROISIEME SECONDAIRE REGULIER em setembro de 2012. Bem, primeiro, se vocês quiserem dar uma olhada no background, podem consultar nossos posts anteriores sobre o assunto. Segundo, se preparem porque o post é longo:


O principal ponto é que não existem muitos casais de imigrantes brasileiros em nossa situação, o que tornou difícil nossa busca. A nossa situação é: casal de meia idade com filhos adolescentes. Todo mundo aqui é bem jovem sem filhos ou com filhos bebês ou muito pequenos, que ainda não entraram no primário, salvo raras exceções. Então, a gente não tinha pra onde correr. Outro ponto importante a saber: o ano letivo é de setembro a maio, e não de fevereiro a novembro, como no Brasil. Assim, às vezes um semestre de diferença pode ser ganho ou perdido. Mais um ponto: o seu filho será admitido no secundário conforme a idade. Normalmente a partir dos 11 anos as crianças vão para o primeiro ano secundário (secondaire), equivalente mais ou menos à sexta série. Agora, vamos à história toda, onde também quero explicar como as coisas funcionam:

A Escolha da Escola
A escola de seu filho SEMPRE será a escola de quartier, quando você chega no Québec. Esta escola é obrigada a aceitar o seu filho. Outras opções se abrem mais tarde. Por isso, você deve escolher o lugar que você vai morar conforme a escola do quartier. Para saber qual a escola do quartier, você pode consultar os sites das comissões escolares (veja links acima). Nós chegamos para morar em Ile-des-Soeurs, que é um lugar maravilhoso, mas a escola de quartier é a Monseigneur Richard, que é uma das piores da paróquia. Na admissão, basta levar os passaportes e o IMM1000, o papel marrom, seu e das crianças.

Classe d'Accueil:
Nossos filhos, com 14 anos, foram admitidos no secondaire. Todas as crianças imigrantes que vão para o secondaire são submetidas a um teste de francês antes de entrar no colégio. Conforme o nível do francês, elas serão obrigadas a fazer um curso de acolhida (Classe d'Accueil), onde todos aprenderão a falar francês. As crianças podem ficar até 3 anos no Accueil, conforme abaixo: 
  • Primeiro ano (débutant/iniciante): francês, matemática, educação artística, educação física;
  • Segundo ano (intermediare/intermediário): francês, matemática, ciências, educação artística, educação física
  • Terceiro ano (avancé/avançado): francês, matemática, estudos sociais, educação artística, educação física.
Nossos filhos entraram no débutant, obviamente, mas logo estavam falando francês como se sempre tivessem morado aqui. É impressionante como eles aprendem rápido. Não há preocupação quanto a isso. Nossa primeira preocupação foi: não havia lição de casa, vida meio folgada, etc. Logo fomos falar com a professora deles. Nossa primeira surpresa: normalmente os pais daqui não vão ao colégio falar com os professores. Ela se surpreendeu positivamente por cuidarmos de nossos filhos. Estávamos acostumados com o Brasil, onde uma vez por mês tinhamos audiência com a coordenadora de classe, etc. Nossa preocupação era: os coleguinhas deles do Brasil estavam agora na oitava série, ralando, estudando, e nossas crianças aqui na folga... Enfim. A professora nos convenceu de que o aprendizado de uma nova língua valia um ano "perdido", ou "investido". Ela contou a experiência dela e foi maravilhoso. Uma professora sensacional. Acabamos ficando tranquilos e montamos com ela nosso primeiro plano para as crianças. Ela disse que eles seriam aprovados para ir direto para o Accueil Avancé e em 1 ano iriam para o Regulier. Importante: ninguém estuda em escola inglesa, a não ser que sua língua materna seja o inglês ou mediante outros critérios de aceitação. Você pode, se quiser, consultar o Charter of the French Language, que é a lei sobre a proteção do idioma francês no Québec, capítulo VIII, especialmente o artigo 73. Então, se você vem para o Québec, a probabilidade maior é que seus filhos estudem em francês e aprendam o francês, apesar de o inglês ser ensinado como segunda língua, como no Brasil. No final das contas, as crianças falarão os dois idiomas sem dúvida, especialmente aqui em Montréal, onde o inglês é muito requisitado.
As Escolas Internacionais
Aqui no Québec há muitas escolas com o currículo montado conforme as normas do Baccarelaut International, e são por isso chamadas de Escolas Internacionais. Existem escolas internacionais públicas e privadas, e estas escolas não são de quartier. Sendo assim, elas não têm obrigação de aceitar o seu filho. Ele sempre terá de fazer exame, teste, lista de seleção, lista de espera, etc. Quando as crianças entraram no Accueil Avancé, o professor delas, em mais uma supreendente reunião com os pais (eles já estão se acostumando com isso, ehehe), nos recomendou que inscrevêssemos as crianças na École Mont Royal, uma escola internacional pública, de nossa comissão escolar, onde a sua filha estudava. E ficamos com a pulga atrás da orelha. Olhamos o ranking e a escola até que era boazinha... Mas percebemos que outras escolas internacionais públicas estavam melhores. Gostamos do College Saint-Louis, e também vimos outras escolas privadas nos sites... Começamos a sonhar com isso. Em meados de Set/Out 2011. E as crianças ralando no Avancé... até que chegou a hora das inscrições...

As Jornadas de Portas Abertas (Journées Portes-Ouvertes ou Open Doors)
Com o plano que os professores haviam feito, fomos atrás de buscar inscrições nas escolas que havíamos escolhodo. Entrando nos sites, todavia, descobrimos que não havia informação para o ano letivo corrente e que a gente deveria esperar o "Portes Ouvertes". C'est ça quoi??? Todas as escolas, colleges e universidades por aqui fazem um evento anual chamado "Portes Ouvertes". Este evento dura 1 ou alguns dias, normalmente é feito a partir do final de setembro e é nele que os próprios alunos fazem a apresentação de sua escola. É sensacional! Em muitas escolas, tivemos surpresas muito agradáveis e em outras, desagradáveis. Por exemplo, fomos ao College Beaubois, privado, lindo, parecia um castelo, onde fomos mal recebidos e direcionados para a fila de inscrições (só queriam as doletas). Havia muita coisa para ver, mas pouca gente disposta a explicar. Ao contrário, fomos ao College St-Louis, público, internacional, horrível, parecia uma prisão: chegamos lá, uma fila enorme que virava a quadra de gente simples, humilde, de tudo que é jeito. Então, os alunos apareceram com cestas de frutas para a gente comer. Quando entramos, havia palestra dada pela diretora a cada 10 minutos sobre o colégio e depois, visita guiada. Cada sala de aula era uma palestra sobre as disciplinas: francês, inglês, espanhol, matemática, ciências, estudos sociais, artes, educação física e até viagens internacionais! Tudo dado pelos próprios alunos. As crianças amaram. Não é a toa que é a melhor escola do Québec atualmente. Então, as escolas públicas e privadas aqui não parecem como no Brasil. Precisa haver critério para escolher. Outra conclusão importante: o calendário letivo: você vai nas portes ouvertes em set/out, escolhe matricular seu filho e paga normalmente até jan do outro ano e seu filho começa a estudar em set do outro ano. Então, nós visitamos as escolas em out 2011 para que nossos filhos começassem a estudar em set 2012, para o ano letivo 2012-2013. No Brasil, estamos acostumados a matricular nossos filhos em Nov/Dez para começarem a estudar em Fev do ano seguinte. Cuidado!

O Processo de Seleção
Aqui a gente encontrou mais uma barreira: as escolas do Québec somente possuem processo de seleção para admissão no Primeiro Ano do Secundário, correspondente à sexta-série no Brasil. Então, se seu filho tem 11 anos ou menos, tudo bem. Porém, se tem mais de 11, não há exame de admissão e o que ocorre é um processo de espera de vagas em aberto pelas crianças que deixam a escola. O que acontece é que os alunos do primeiro secundário, que são aprovados, vão para o segundo, abrindo assim as vagas do primeiro para o próximo ano, os do segundo para o terceiro, etc. etc. Então, se ninguém deixa o colégio em algum momento no ano, não há vagas, simplesmente. Com nossos filhos com 14 anos, simplesmente não sabíamos o que fazer. O tão sonhado College St-Louis simplesmente disse "liguem em março para saber se há vagas". Estamos esperando até agora. E não queríamos que nossos filhos continuassem na atual escola Monseigneur Richard. Algumas escolas privadas nos disseram que somente admitiam nossos filhos no primeiro secundário, onde todo mundo tem 11 anos e os nossos teriam quase 15! "Nós não conhecemos o currículo do Brasil e não podemos avaliar seu filho". A gente queria morrer... Então, entre nossas pesquisa, descobrimos a escola FACE, que aceitava crianças até o terceiro secundário, com currículo bom e também programa de belas-artes. Porém, ela não era da nossa comissão escolar, o que tornava as coisas bem mais difíceis... Em todo caso, fui no Portes-Ouvertes, com visitas guiadas, falei com o diretor da escola, que foi muito atencioso e pediu para que eu enviasse os envelopes de inscrição com os nomes das crianças, lembrando por escrito que eu havia falado com ele. Foi o que fiz, apesar de não ter gostado muito da escola, ela seria ideal para nós, pois fica bem no centro e a gente não precisaria se mudar, e ela estava muito bem conceitada no ranking e também tivemos ótimas referências de nossos amigos que têm alunos estudando no primário.

Mais Dificuldades, mas uma Luz no Fim do Túnel
Falando com o pessoal de nossa Igreja, descobri uma senhora da comissão escolar de Montréal (CSDM) que poderia me ajudar. Fui até o prédio da comissão escolar pessoalmente e falei com ela, expliquei o problema, ela ficou surpresa, então, ela me disse que para nossos filhos serem admitidos em escolas da CSDM eu teria de ter um acordo extraterritorial, onde nossa atual comissão escolar Marguerite Bourgeoys (CSMB) aceitaria que nossos filhos fossem transferidos para a CSDM. Ela disse também que seria impossível que isso acontecesse caso a CSMB oferecesse o mesmo programa que queríamos na outra comissão escolar. Então, ela me indicou a escola Pierre Laporte, da CSMB, que oferecia um programa musical. Liguei lá na sexta e adivinhem! O Portes-Ouvertes era no dia seguinte: fui com a Cris e ficamos apaixonados pela escola: pública, com programa musical, vários estudos com pianos, aula de bateria, violão, esportes, etc. Inscrevemos as crianças para o teste. Eles fizeram e passaram! Então, fiz a matrícula, paguei, e estava tudo resolvido. Porém, a logística estava difícil. Eles teríam de pegar 2 ônibus e 3 metrôs para chegarem à escola. Então, estávamos decididos a mudar no meio deste ano para um local próximo à escola. E a região lá se chama Ville Mont Royal e é caríssima... poderíamos morar perto, talvez... não sei. O importante é que as crianças já estavam aceitas para o terceiro secondaire. Isso significa que eles perderiam meio ano, por conta do ano iniciar em Setembro e não em janeiro. No final das contas, eu havia inscrito as crianças também na FACE, por via das dúvidas, para ter mais uma opção, porém, com poucas esperanças de aprovação, já que eles eram de outra comissão escolar.

Finalmente, um Final Feliz
Então, não sei como, enquanto estávamos no Brasil, recebemos uma carta dizendo que um de nossos filhos havia sido aprovado na FACE! E esta escola é bem no centro de Montréal, a uma quadra do metrô e do ponto final do ônibus que sai daqui de casa... Sem dúvida, achamos sensacional, pois não precisaríamos nos mudar!!! Fui lá e briguei para que as duas crianças fossem aprovadas. Eles se lembraram de mim e concederam que os dois entrassem. Então, solicitei à CSMB o entente extraterritoriale, autorizando as crianças a estudar em outra comissão escolar, e fui super bem atendido e a atendente falou que para a FACE não havia dúvidas que o acordo seria concedido, visto que o programa de belas-artes deles não é ofertado pela CSMB. Então, já estou aguardando o acordo e tenho a confirmação de que as crianças foram aceitas na segunda escola. Agora, estou mais certo ainda de que tudo estará bem para 2012 e que em setembro eles iniciarão no regular e no terceiro ano do secundário. Isso será um grande desafio para eles, pois não haverá mais o professor do Accueil para corrigir o francês incorreto, ter paciência, etc. Mas confio muito nas crianças e eles têm demonstrado imensa dedicação aos estudos e um progresso enorme. Não estou preocupado. Além disso, o professor está cobrando deles um conteúdo muito além do exigido pelo terceiro secondaire. Então, a expectativa é que as coisas fiquem mais fáceis depois no regular.

Nota incluída em 07/03/2012: o final nao foi tao feliz assim: a CSDM rejeitou o acordo de transferência dizendo que nao aceita transferências de alunos oriundos da Classe d'Accueil. Teremos que esperar até o final do ano letivo (Jun), quando eles serao aprovados para o regular e solicitar nova transferência que, segundo a própria CSDM informou por telefone, será aprovada.
Ufa!!! Desculpem o post gigantesco, mas ele resume tudo o que passamos com as crianças para colocá-las no secundário aqui em Montréal. Agora, já sabemos o caminho das pedras e podemos ajudar quem quiser vir.

E continuamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!

Forte abraço a todos

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Canadá faz Bonito no Ranking das Universidades

Esta semana saiu o ranking global das universidades, e o Canadá se saiu muito bem, com várias universidades entre os 100 primeiros colocados. O ranking foi elaborado pela respeitadíssima Times Higher Education Magazine e a lista é a que possui melhor reputação e a mais consultada no mundo. A melhor universidade canadense é a University of Toronto (19o lugar - Nota 81.6), seguida pela University of Brithish Columbia (22o - Nota 77.4) e a McGill University (28o lugar, Nota 75.5, aqui de Montréal!!!!). Uma outra boa notícia para o povo Montréalais é que a Université de Montréal avançou 34 posições, chegando em 104o lugar, Nota 53.1. A melhor colocada do Ranking é a California Institute of Technology, com nota 94.8.

Em tempo: a universidade brasileira melhor colocada foi a USP - Universidade de São Paulo, que ficou na 178a posição, com nota 44.1. Entre 400 universidades, até que não foi tão mal assim...

Clique neste link para ver a reportagem no 24h do metrô de Montréal.

Abração e a Paz
Igor Schultz

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Hora do Boletim!

Olá, Povo de Deus

Estivemos na semana passada no colégio das crianças para buscar os boletins deles. Como no Brasil, os professores ficam todos à disposição das crianças para conversar e tirar dúvidas sobre o período letivo. Fiquei muito surpreso, modéstia a parte, com o desempenho do Matheus e da Thabata no francês. A professora deles (Mme. Manon) é super legal e os elogiou muito. Estão muito esforçados e já muito mais adiantados do que vários alunos de sua turma, mesmo começando na metade do período letivo. Isso se deve ao fato de que somos de língua latina, então, o francês é uma língua muito fácil de aprender. Também em parte ao longo período de imersão a que são submetidos, como 6 horas de aula aproximadamente, 5 dias por semana. E finalmente, porque são crianças, e como tal, são umas esponjas...eheh! Também vi que o colégio possui 2 ginásios enormes e aquecidos... demonstrando uma infra-estrutura melhor do que eu imaginava. Enfim, foi bom termos ido lá, pois a gente ficou mais tranquilo com o colégio. Chegamos às 7h30 da noite e ficamos até às 9h00, pois a professora ficava o tempo que fosse necessário com os pais, e nós éramos os últimos. Na verdade, quando chegou a nossa vez, todo mundo já tinha ido embora. ehehe.

As crianças contam que existem muitos orientais (chineses, principalmente) em sua turma, que já estão há vários meses e não conseguem fazer coisas simples, como pronunciar a palavra "sept" (número sete), por exemplo. Para eles, é muito mais difícil, pois muitos fonemas que existem no francês e português não existem na língua deles. Para nós é simples porque já emitimos estes sons e apenas precisamos trocá-los de lugar ou associá-los a novos símbolos. Para os orientais, porém, a maioria dos sons nunca foram pronunciados. À exceção do "u", que aqui se pronuncia como um "i", mas com a boca em formato de "u", como na palavra alemã "Müller", e creio que o "oe" que é como um "e", mas com a boca em formato de "o". Esse ainda não sei pronunciar.

Uma outra coisa que sinto que faz falta é a Análise Sintática que, quando estudávamos na quinta ou sexta séries, era um saco, mas facilita muito o aprendizado de outras línguas. As minhas crianças estudavam em um bom colégio no Brasil, mas por alguma razão, o ensino da língua portuguesa não era focado em gramática, mas em composição de textos e interpretação. Então, havia pouco entendimento das bases ortográficas e gramaticais da linguagem. Mas aqui, os professores falam o tempo inteiro em "sujeito", "predicado", "complementos diretos e indiretos", e as crianças não estão familiarizadas com estas estruturas. Assim, sempre que podemos, tentamos ensiná-los um pouco de análise sintática. Isso facilita muito o aprendizado do francês aqui.

Bem, temos esperança que eles possam já para setembro deste ano eles possam ser transferidos para o "accueil avancé", ou mesmo para o "secondaire regulier", pois estão indo muito bem... Parabéns!!!

E vamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar.

Abração e a Paz

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Primeiros Dias de Nossa Família no Canadá

Oie, Pessoal

Depois da chegada da Cris e crianças no Canadá, todos descansaram bastante, dormimos juntos e finalmente, amanheceu o primeiro dia depois da chegada da Cris e das Crianças no Canadá. Vi a minha vida passar de novo na minha frente, pois repetimos todos os procedimentos que eu já havia feito:

Primeiro, demos um pulo na Escola Mgr. Richard, onde as crianças irão estudar, para fazer a inscrição deles. A escola é secundária e pertence à Comissão Escolar Marguerite-Bourgeois, em Verdun. As crianças irão iniciar as Classes d'Accueil (turma de boas-vindas). Esta classe é obrigatória para as crianças que não sabem falar francês e pode durar no máximo 3 anos. Para as classes d'accueil, as crianças precisam se inscrever nas escolas próximas à sua casa. Por isso, eles foram para esta escola. À medida que o francês for se desenvolvendo, eles vão sendo avaliados e conforme for, voltam para o secondaire no primeiro ou segundo ano. Durante as classes d'accueil, eles não têm somente aula de francês, mas também matemática, educação física e artística, geografia e história e ciências. Fomos muito bem atendidos no rendez-vous e a professora fez o teste de francês com eles: zero. Não falam nada. Tudo bem, entram na turma básica. E eles entraram em uma turma que havia começado em setembro e que tinha filhos de amigos nossos brasileiros. Estão adorando e se adaptando rapidamente.

Depois da escola, fui trabalhar de manhã e de tarde a Cris e as crianças tinham mais um desafio: pegar o ônibus de casa até o centro e me encontrar. Foi realizado com sucesso! Então, fomos fazer o NAS (SIN) no Service Canada, que saiu imediatamente para todos, sem problemas de burocracia nem CSQ, e depois, fomos na mesma hora fazer a inscrição para o Assurance Maladie (seguro saúde). Aqui tem um ponto importante: como a Cris está grávida, ela recebe imediatamente a assistência do Governo do Québec, não sendo necessário aguardar 90 dias pelo cartão. Ela receberá atendimento gratuito mesmo sem o cartão, bastando apresentar o papel que o cara do RAMQ (Régie d'Assurance Maladie du Québec) deu para ela na inscrição. Tudo isso sem CSQ. Isso nos tomou a tarde inteira.

Depois disso, no terceiro dia, a Cris e as crianças vieram novamente ao centro para fazermos a carteira de ônibus das crianças, com foto. Como eles são estudantes, eles têm direito a esta carteira e pagam somente 38$ no passe mensal. Para fazer isso, fomos na sucursal da STM na estação McGill (2020, rue university). Nem precisou sair do metrô para fazer as carteirinhas. E mais um detalhe: havíamos esquecido a pasta com os documentos das crianças, mas a moça da STM fez a carteirinha mesmo assim.

Então, na semana seguinte começaram as aulas das crianças e a Cris também iniciou o seu curso de inglês, e também está gostando. Ela está fazendo o curso no Centro James Lyng, da comissão escolar inglesa. Já tem também alguns amigos brasileiros, mas tem também duas amigas iranianas que de vez em quando conversam com ela.

Pra encerrar, a nossa rotina está assim: acordamos 6h30, tomamos café juntos, então, a Cris sai primeiro, pega o 12 (vulgo "interbairros", porque só tem curitibano dentro) e vai para o James Lyng. As crianças saem logo em seguida para o próximo 12, direto para a escola. Agora, eles vão virar gente grande, pois fazem tudo sozinhos. Ganharam um celular no segundo dia, e vivem tirando fotos em tudo que é lugar!!! Eu sou o último a sair, dou uma ajeitada em tudo e pego o 168 para o centro. A Cris chega em casa por volta da 1h da tarde, as crianças chegam às 4h da tarde e eu chego entre 5h30 e 6h. E ainda tem bastante tempo para resolver tudo. De noite, a gente cozinha para o dia seguinte: eu levo uma marmita com tupperwares de comida e a Cris vem almoçar em casa. Para as crianças, existe um pacote de refeições por 17$ mensais, mas as vagas esgotaram. Então, comprei outro que custa 39$ por 10 refeições, o que também é barato, e a refeição é melhor que a anterior. Porém, como vocês podem perceber, está faltando tempo, pois já faz 3 semanas que eles chegaram e só hoje consegui escrever... Haja paciência de quem acompanha este blog!!!

Abração e a Paz
Igor Schultz

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As Melhores Escolas de Québec

Olá, Pessoal

Estamos pesquisando um lugar para morar e encontramos um ranking das melhores escolhas da província de Québec, que na verdade nos foi enviado por um colega de trabalho. Posteriormente, vi que esta tabela faz parte de uma pesquisa do Institut Économique de Montréal. Está atualizada até o ano de 2007.

Clique aqui para abrir a pesquisa. O ranking está na página 29.

Sabemos que se morarmos perto de uma escola, temos boas chances de que nossos filhos sejam indicados a estudar nesta escola, mas existe a dependência de vagas e outros critérios, mas a idéia é morarmos perto das escolas. Então, a gente toma o nome da escola, pesquisa na Internet o endereço e busca lodgements perto deste endereço. Ah! E tem que prestar atenção também à Comission Scolaire à qual a escola pertence!!! Dá pra saber muita informação nos sites das CS.

Comission Scolaire de Montréal
Comission Scolaire Marguerite-Bourgeoys
Comission Scolaire Leaster B. Pearson

Por isso, estamos tentando nos instalar perto das melhores escolas, mas é dureza... Parece que todos os apartamentos já estão alugados... Mas vamos tentando, com passos firmes de quem sabe onde quer chegar.

Abração e a Paz

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Universidades de McGill e Montréal Entre as 200 Melhores do Mundo

Olá, Pessoal

Recebi a notícia abaixo, do Journal de Montréal, e fiquei muito feliz, pois entre as melhores universidades do mundo, 2 estão na cidade onde provavelmente iremos morar... Não é demais???

Abração e a Paz


McGill et Montréal dans les rangs du palmarès mondial

Le Journal de Montreal
17 sept. 2010

TORONTO (Agence QMI) Neuf universités canadiennes et deux québécoises se retrouvent dans le palmarès des 200 meilleures universités dans le monde établi par le magazine Times Higher Education, en Grande-Bretagne. L’Université McGill et l’Université...lisez plus...

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