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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fim do Silêncio

Olá turma, depois de 112 dias em silêncio estou de volta postando por aqui. Este silêncio aconteceu por conta das inúmeras tarefas que precisei realizar antes e depois de vir pro Canadá. Confesso, não foi nada fácil finalizar as coisas no Brasil e também não é fácil o início da vida por aqui. Vou tentar explicar meus sentimentos:

Saída do Brasil: como havia comentado no último post eu tinha muito coisa pra resolver, assim como o Igor quando chegou por aqui, mas gente nesse processo de vir pro Canadá duvido que haja algo mais difícil que dar fim nas coisas de uma casa. Nós temos 16 anos de casados, então juntamos muita tralha. Havia coisas que podíamos vender e outras sem condições, não serviam nem pra ser doadas. A finalização de tudo eu fiz com a ajuda de amigos que foram fundamentais neste momento, sem eles eu não sobreviveria a esta etapa. Fica aqui meu eterno agraecimento a todos. Uma dica que deixo aqui procurem vender tudo com certa antecedência, isso nos ajudou bastante.

Primeiras Semanas: Quando cheguei aqui sentia uma mistura de novidade, vida nova, porém com aquela saudade das pessoas e a vida que deixei no Brasil. No primeiro mês vive uma ser apatia. Fiquei paralizada, tinha receio de sair de casa e alguém vir falar comigo....eheheh. Não fazia nada sem o Igor e isso começou a me deixar meio deprimida. Imaginem, a vida agitada e independente que eu tinha no Brasil passou para uma vida em casa, sossegada e ainda com os sintomas da gravidez. Não foi fácil, mas isso acabou no dia 7 de janeiro.

Nasci para o Canadá: VOU CONTAR, PORQUE FOI MUITO ESPECIAL PARA MIM:

Lembro-me como se fosse hoje.....foi o dia em que o Igor fez o teste de direção, estava em casa no período da manhã. Neste dia creio que tive uma iluminação Divina, sério gente....foi super especial....Nesta manhã enquanto tomávamos nosso café da manhã eu dividia com o Igor minhas angústias, em meio a lágrimas. Podem ter certeza, todos que vem pra cá em algum momento sentem vontade ou choram, assim como eu...

Nesse dia o Igor, que não mede esforços para me deixar feliz, disse-me muitas coisas boas, entre elas falou-me que eu precisa nascer para o Canadá e de fato decidir que a partir daquele momento eu iria ser feliz aqui, neste lugar que eu escolhi. Disse-me também que se eu realmente não fosse feliz aqui não haveria problema algum retornarmos para o Brasil, já que estarmos aqui foi uma opção nossa. Acontece que eu não queria voltar, só queria poder dar conta da minha vida sozinha, sem as limitações com a falta de domínio da língua, sem sentir-me tão limitada, tão sufocada pela falta de autonomia, sem sentir-me cansada o tempo todo, com sono , com enjôos, sem energia, estes últimos todos sintomas da gravidez que associados a grande mudança de vida, tudo tomavam uma proporção maior do o devido....
Depois de ter chorado bastante e conversado com o Igor sobre meus sentimentos (homens, as vezes as mulheres não querem que vocês dêem soluções, apenas precisamos ser escutadas, eheheh) - senti em meu interior algo que dizia pra mim: vá meditar, silencie seu coração e deixe Eu falar com você. Nesta mesma hora levantei-me da mesa (jã com o choro mais dominado) e disse pro Igor: vou meditar (claro que ele não entendeu nada, eheheh).
Levantei-me e fui para o quarto, me coloquei na posição de meditação Yoga, fiquei em silêncio por mais ou menos 40 minutos. Sentia como se uma luz entrasse em mim me enchendo de energia e amor, muito amor. Coloquei-me em estado de oração como nunca havia experimentado e foi muito, muito bom. Depois dessa meditação fiz exercício de Yoga para grávidas em seguida sai do quarto outra pessoa. Acredito que realmente tomei a decisão de nascer para o Canadá...
Quando saí do quarto o Igor perguntou-me se queria ir com ele no exame de direção e mais que prontamente aceitei. Ele me alertou que poderia ficar lá por horas sem fazer nada, então eu disse: Prefiro passar horas esperando mas vendo gente, do que ficar infurnada em casa. Lá fomo nós, ficamos 4 horas esperando, mas eu não me importei, sem contar que no final o Igor passou no teste. Enquanto esperava fiquei vendo as pessoas, suas ações, seus semblantes, como reagiam as situações e foi muito divertido.
A partir desse dia me tornei outra pessoa....não que as coisas tenham ficado fáceis, mas a forma como passei a encarar é que mudou toda história..... acho que nesta vida é isso mesmo, os problemas existem, mas como vamos enfrentá-los é que faz toda diferença para sermos feliz...Temos que parar de ter pena de nós mesmos, achar que alguém vai nos tornar felizes, quando a responsabilidade do encontro com a felicidade diz respeito apenas a nós....é uma decisão, além da certeza e a esperança que temos um Deus que nos conhece, nos sonda a todo momento, mas não como alguém que espiona o que fazemos, mas como alguém que nos acompanha a todo instante.....
Tenho outras coisas pra contar, mas este post já está enorme, então deixo para o próximo post contar sobre o meu curso de inglês, os novos amigos, os trabalhos na Igreja, sobre o atendimento médico, sobre o bebê (é um menino e chamará Thiago), sobre o atendimento hospitalar (que é ótimo, pelo menos no caso de quem está grávida), e muitas outras coisas boas que tenho para contar....
Enquanto isso sigamos todos com passos firmes de quem sabe onde quer chegar......

terça-feira, 21 de setembro de 2010

30 Dias para o Canadá!!

Oi, Povo de Deus!!!

Só de escrever o título deste post, já fico emocionado!! Lembro-me de tudo o que passou e agora, precisamente ontem, dia 20 de setembro, faltam 30 dias para a viagem ao Canadá. Tudo o que acontece em nossas vidas agora é como se fosse a última vez: falar com as pessoas da nossa família, com os amigos, andar pelas ruas de Curitiba, que também são lindas, limpas e arborizadas, com passarinhos cantando, etc... ahaha. último retiro do Cursilho, último ECC, último isso, último aquilo. É engraçado, mas todos os momentos da vida que estão acontecendo nestes dias me deixam sempre com um sentimento de atenção: "tenho que viver isso intensamente, pois pode ser a última vez". O mais interessante de tudo, é que este sentimento na verdade deveria ser nosso de cada dia, pois realmente o único momento importante - independente de estarmos imigrando ou não - é o momento presente. Mas não nos damos conta disso. Então, mais uma experiência de desapego. Este processo de imigração é muito instrutivo para a vida.

Outra coisa: ver a casa se esvaziar também é uma coisa difícil: cheguei esta semana em casa e a sala já não tinha o jogo de sofá, pois havíamos conseguido vender. Então, a sala estava vazia. Baixamos um colchão de casal velho para podermos assistir TV. Hoje eu desci o sofá do escritório (que também já tá vendido mas o cara não veio buscar) e o escritório ficou com cara de vazio. Enfim, tudo é sinal de que a nossa vida nesta casa também está lentamente desaparecendo... Mais uma experiência de desapego, mais um aprendizado...

Uma última coisa que é interessante lembrar e que me ocorre hoje é o primeiro encontro que tivemos com nosso grupo de amigos imigrantes de Curitiba, dos quais somente nós estamos aqui agora. Isso faz mais de um ano, mas consigo lembrar nosso sentimento de insegurança e apreensão, vendo como eles estavam seguros, pois já estavam bem adiantados no processo de imigração e a gente nem havia iniciado ainda. Fico pensando naquela época e no sentimento: "será que vamos conseguir?", "quanta coisa para fazer?", e agora, não quase nada mais há fazer... Mas a diferença entre aquela ocasião inicial e agora nada mais são do que as decisões que tomamos em direção ao processo, às coisas que nos abstemos que não nos levavam ao Canadá... Ou seja, o resultado da caminhada, sempre com passos firmes de quem sabe onde quer chegar.

Mas agora, não posso deixar de mencionar. A força principal desses passos firmes vem somente de Deus... Sem Ele, não haveria "passos firmes" nem a "ciência de onde se deve chegar". Sabemos muita coisa hoje sobre o lugar onde vamos morar, mas o que nos conforta é principalmente a Esperança de que Deus nos quer, de alguma forma lá. Ele quis precisar de nós lá e lá nós vamos também. Com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!!!

Abraços e a Paz