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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Socorro! Tenho que ir pro Pronto-Socorro!

Oie Galera,

Estamos neste momento aqui no Hôpital Général de Montréal para tratar um problema de saúde e estamos sentindo na pele o que é ter que enfrentar a emergência de um hospital público no Québec. Estamos já há 12h aqui esperando o resultado de um exame e ainda tem mais um para ser feito. Junto conosco estão várias pessoas, muitas com problemas muito mais graves do que o nosso e também com mais idade. Todos têm que ficar do mesmo jeito aguardando na sala de espera sem nenhuma informação ou satisfação sobre os seus problemas. O sistema de saúde é realmente difícil de engolir e nos sentimos verdadeiramente desrespeitados hoje. Já sabemos que ir para a emergência de um hospital aqui é ter que passar várias horas esperando, mas nunca havíamos presenciado na pele uma espera tão grande sem nenhuma informação.

Algumas pessoas com quem estamos conversando nos disseram que cada hospital tem a sua fila de espera diferente e que tudo depende da prioridade que ganhamos na triagem. Fomos encaminhados para este hospital pelo nosso médico de família, mas realmente tá difícil. E o pior é que estamos desconfiados que os caras não estão examinando o real problema que viemos verificar. Assim, teremos que ficar esperando um tempão para não sair com a informação que precisávamos. Isso vai ser dureza... Dá vontade de cair fora, mas precisamos do diagnóstico, enfim... Nessas horas realmente temos saudade do sistema de saúde (privado) que tínhamos no Brasil. Entendo que não dá pra comparar laranjas com bananas, mas que dá saudades, dá...

E vamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!

Abração e a Paz

Igor Schultz

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Uma Experiência com Hospitais

Oi, Oi, Gente Querida!

Na semana passada tivemos mais um contato com o sistema de saúde do Québec. O Thiago foi recomendado para uma avaliaçao fisioterápica pela pediatra. Entao, gostaria de contar nossa pequena epopéia com algumas nuances pessoais. Antes de falar de nossa experiência gostaria de falar ou relembrar alguns pontos relacionados à saúde no Québec, abrindo um pequeno parêntesis:

(
Iniciando o atendimento médico

Eu nao lembro se já contei isso por aqui, mas todo o atendimento médico por aqui tem geralmente três formas de iniciar. Ou você tem uma situaçao de emergência ou você tem dúvidas ou questoes contornáveis ou você tem um médico de família.

Falando da situaçao de emergência, trata-se de sair correndo para o pronto-socorro do hospital mais próximo ou daquele de confiança com um problema que achamos ser uma emergência. A gente nunca encarou esta situaçao por aqui ainda. Porém, vamos dar algumas dicas com base no que ouvimos. Primeiro, o melhor negócio é contar com a ajuda da ambulância. Ligue 911 e em alguns minutos haverá uma ambulância, um carro de bombeiros, um carro de polícia na porta de sua casa, o que estiver mais próximo. Ou às vezes vêm os três. Se o caso for realmente grave, a ambulância vai te levar para o hospital. A gente ouviu dos médicos da emergência que é melhor chegar com a ambulância do que vir de carro direto pro hospital. Chegando na emergência, você entra na triagem e rapidamente é colocado na fila de espera conforme o que é constatado quanto à gravidade da sua situaçao. No Brasil, estavamos acostumados a levar nossos filhos no pronto-socorro porque eles estavam com febre alta. Sabemos que se fizermos isso por aqui, vamos esperar horas, pois outros casos mais urgentes serao atendidos com prioridade, entao, ficamos em casa. Mas, depois que você entra para dentro do hospital para receber atendimento, realmente o tratamento parece ser de boa qualidade. Vamos ter que esperar para ver (esperamos realmente que nao seja necessário, independente de país);

Se você nao sabe o que fazer, e tem dúvidas ou questoes contornáveis, você pode ligar para o InfoSanté 811. A gente já ligou várias vezes e somos atendidos por enfermeiras que realmente entendem do assunto. Elas fazem perguntas, dao o diagnóstico e recomendam o tratamento. Em se tratando do bebê, normalmente, tudo o que elas falam já estava escrito no livrao que a gente recebe quando sai do hospital, mas é que a gente nao tem o costume de ler... no Brasil, a gente sai correndo pro hospital antes de pesquisar. Aqui, a gente acostuma rapidinho a fazer diferente. Livros, colegas, internet e InfoSanté antes de decidir o que fazer, nestes casos. A gente gostou bastante do serviço e os tratamentos recomendados funcionaram para o Thiago. Por exemplo, na última vez que ligamos e passamos o quadro do Thiago, foi diagnosticado que ele estava com inflamaçao no ouvido e recomendaram fortemente que fossemos ver o médico de família, e eles estavam certos;

Os outros casos todos sao tratados no médico de família (clínico geral). Aqui é muito difícil de conseguir um médico de família. Eu e a Cris tivemos uma experiência com um senhor de uma clínica aqui perto e nao gostamos muito). As crianças estao sendo tratadas no Club Tiny Tots, uma clínica que tem oferecido um serviço razoável solicitando uma contribuiçao de $10 por consulta. Está sempre lotada, mas tenho notado que, aos trancos e barrancos, o serviço está melhorando.

A grande diferença é que fora o médico de família, nós nao podemos ir por conta própria a nenhum outro especialista. Quem decide tudo é o médico de família. Entao, eu queria ir num ortopedista para ver minhas dores nas costas, por exemplo... fui marcar a consulta e me pediram a "referência". A referência é uma recomendaçao do médico de família dizendo que você realmente precisa de um ortopedista. Assim, primeiro tenho que ir no médico de família (que nao temos ainda...) e convencê-lo de que preciso de um ortopedista para ganhar a carta de referência.

Pra quem está acostumado com o Brasil, onde tem uma porta para o SUS e outra para os Convênios/Particulares, é um impacto grande... aqui, todo mundo é igual e mesmo com plano de saúde ninguém passa na frente de ninguém. O plano apenas paga luxos adicionais e especialidades médicas nao cobertas pelo plano de saúde do governo. E assim, fechamos nosso parêntesis...
)

Numa das consultas no Tiny Tots, a pediatra do Thiago recomendou que ele fosse avaliado por um fisioterapeuta, pois ela achou os músculos das costas dele meio fraquinhos para a idade. Nada grave, apenas uma precauçao. Entao, ela preencheu a carta de referência. Nós enviamos esta carta por fax para o Montréal Children's Hospital, da McGill University, e neste caso, podemos nos orgulhar pois a McGill é uma das melhores do mundo e pudemos constatar isso na consulta. Mas nao só isso. Ficamos felizes pois achamos que iriamos demorar meses para ter um rendez-vous e conseguimos em 2 semanas uma consulta. Chegamos lá, fomos atendidos na hora e ficamos quase uma hora com o Thiago fazendo várias avaliaçoes e movimentos, com vários brinquedos, e com duas fisioterapeutas junto com ele: uma estudante e uma médica. Saímos com exercícios para ele começar a andar, e uma outra consulta de avaliaçao em 1 mês. Foi bem legal! Assim, ponto para o sistema de saúde, que até agora, nao está nos desapontando, apesar do que temos ouvido.

Ah! Na clínica de fisioterapia achei meu irmao gêmeo (vejam a arcada dentária como é igual!)

E vamos seguindo com passos firmes de quem sabe onde quer chegar.

Abraçao e a Paz
Igor Schultz

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Cuidados Médicos para Recém-Nascidos

Olá, Pessoal!
Estou aproveitando que o Thiago está dormindo bastante (agora já são quase 4h de sono direto) e sobra tempo para atualizar o blog. Mas vamos falar baixinho porque senão ele acorda...
O papo agora é sobre como está o nosso atendimento médico aqui, depois que o Thiago nasceu. Para os recém-nascidos, temos sido muito bem atendidos no CLSC (Centre Local de Services Communautaires) aqui em Verdun. Os CLSC são como centros de saúde, mas muito mais amplos do que os centros de saúde do Brasil. Aqui a criança recebe as vacinas, é pesada periodicamente e podemos marcar consultas com enfermeiras a hora que quisermos. Porém, com um atendimento bem diferente. A gente tem que se acostumar. Uma das primeiras diferenças é que, para os recém-nascidos, sempre o primeiro ponto de atendimento é a Clínica de Aleitamento. Lá eles verificam primeiro se o problema com o bebê é referente à amamentação, posição na mamada, etc. Depois, se o assunto for mais grave, eles fazem o encaminhamento para um especialista em um hospital, normalmente o hospital onde o bebê nasceu, pois lá mamãe e bebê já têm ficha.
Como regra geral, todo mundo aqui tenta fazer com que o bebê mame no peito e sempre há uma solução "natural" para tudo... Às vezes, temos um pouco de saudades da medicina "sintomática" que tinhamos no Brasil, onde os sintomas eram aliviados rapidamente... nós nos tratavamos também com a homeopatia, mas apesar de muitas alternativas naturais para os problemas que temos apresentado aos médicos e enfermeiras, a homeopatia não é reconhecida como especialidade médica no Canadá. Então, é como se fosse uma "terapia alternativa"... Enfim. No entanto, muitas farmácias, como Jean Coutu, fazem remédios homeopáticos e surpreendentemente, alguns até estão sendo comercializados por grandes grupos farmacêuticos.
Estamos também fazendo consulta com uma clínica semi-privada, chamada Tiny-Tots. O atendimento é bom também e é fácil de marcar consultas de um dia para o outro. Porém, sempre temos de deixar uma "contribuição" de $10,00. Estou ainda avaliando sobre a qualidade deste atendimento, mas aparentemente está indo bem.
Bem... Quando o Thiago acorda para a mamada das 4h45 da manhã com essa carinha, a gente acha que tá indo tudo bem, né? Vamos seguindo com passos saudáveis e firmes, de quem sabe onde quer chegar!!!
Abração e a Paz

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Experiências Médicas em Montréal

Caros Amigos
Neste post gostaria de contar um pouco sobre como tem sido nossa experiência com o serviço médico Quebecóis. Pretendo falar sobre o nosso seguro saúde, as consultas médicas, a gravidez da Cris e os hospitais.
Bem, a maior dúvida quando a Cris me ligou dizendo que estava grávida era se o serviço de saúde do Québec nos atenderia, pois é necessário 3 meses de carência para começar a receber atendimento, com a chegada da carteira de Assurance Maladie. No entanto, para nossa grata surpresa, se a pessoa está grávida, ela recebe imediatamente assistência médica, sem precisar esperar os 3 meses. A Cris ganhou um documento com o número do Assurance Maladie e ela apresenta esse papel em tudo que é lugar para ser atendida.
Nossa primeira experiência foi comigo. Estava descendo de trenó no Mont-Royal há algumas semanas atrás e dei uma batida forte em um muro de feno. Achei que estava com a costela quebrada. Liguei para a GTA e eles me marcaram uma consulta com um médico da família para o período da tarde. Fui lá e realmente estava marcada. O médico me atendeu e disse: "você quer um Raio-X? Porque estando quebrada ou não, vou receitar Tylenol e gelo". Então, falei que não fazia diferença. Ele disse: "então, foi um prazer, tchau". Decepção total. No Brasil, os médicos não costumavam falar nada sem antes fazer pelo menos alguns exames para ver... E o cara mal apalpou as minhas costelas, e tinha um inchaço enorme... Mas fiquei no Tylenol e gelo e hoje me sinto curado. Quanto ao seguro GTA, funcionou perfeitamente.
Então, vamos à gravidez. A Cris chegou já perto da semana 12, quando é necessário fazer a ecografia por translucência nucal. Então, conversamos com o pessoal da Igreja, que nos deram a dica essencial: "ou você escolhe o obstetra, ou escolhe o hospital". A coisa funciona assim: se você gosta de um obstetra e o escolhe, o obstetra está vinculado a um único hospital e você será obrigado a fazer o parto naquele hospital. Por outro lado, se você escolhe um bom hospital sem se preocupar com o obstetra, o hospital irá lhe indicar o obstetra vinculado e você será obrigado a consultar com este obstetra.
No nosso caso, por indicação de várias pessoas, escolhemos a obstetra Dra. Josée "Ame-a ou Deixe-a" Lebfeuvre. E ela nos encaminhou para o Hospital St Mary, em Côte-des-Neiges. Dá pra chegar de Metrô, mas é uma pernada.... O hospital é sensacional também. No serviço público, o atendimento em geral é bom, mas é demorado. Então, tudo tem que ser muito planejado. Consequentemente, não havia consultas para a 12a semana. Então, tivemos que fazer a ecografia por nossa conta, o que nos custou 300 lascas, mas foi muito legal. No particular, tudo é lindo e parece novela. Ganhamos DVD e tudo mais, e o nenê passa bem.
Na semana de 10 de janeiro, fomos na consulta nos borrando de medo da impressão que iríamos ter da Dra. Mas para nossa surpresa, ela é maravilhosa... "Amamos".... E a partir deste momento, ela é a Dra. Josée "Amamos" Lebfeuvre. Ela já sabia de todo o dossiê da Cris, já sabia do exame de translucência, das doenças do passado, dos gêmeos, de tudo... E nos tratou com muito carinho. Mesmo a Cris não falando inglês, ela nunca se dirigia a mim, mas sempre aos olhos da Cris (eu ia traduzindo, mas o recado era para a mãe). E quando ela ouviu o coração do nenê, que alegria e emoção, ela mesma se encheu de emoção e ficou com os olhos cheios... Saímos de lá bem felizes... E cheios de tarefas para fazer... Cadastro no hospital, exames de sangue e ecografia da 20a semana. Tudo sem gastar um tostão.
Então, fomos para o Hospital St Mary, alguns dias depois. Fomos fazer nosso cadastro. Para isso, levamos o passaporte e o CPR (via marrom), mais o papel com o número da Assurance Maladie. A gente ganhou um livrão que conta tudo sobre gravidez, é sensacional. Ganhamos o cartão do hospital, e acesso à eventos para conhecer o hospital e curso de parto. Fomos também informados que as acomodações são em enfermaria (grátis) com 4 leitos, semi-privativo (com custo) 2 leitos e privativo (com mais custo) com 1 leito. Os custos giram de 180 a 300 doletas por 2 dias. Então, fomos fazer o exame de sangue. Normal, como nos laboratórios particulares do Brasil. Pega a senha e espera pra ser atendido. Todo mundo tá no mesmo barco e se você tem um plano de saúde privado, isso não lhe dá o direito de passar na frente de ninguém. Agora, estamos esperando a próxima consulta para a semana do dia 15 de fevereiro e a nova eco dia 20. Depois, contamos como foi.
E tudo isso sem o CSQ!!!
E seguimos com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!!!
Abração e a Paz

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Primeiros Dias de Nossa Família no Canadá

Oie, Pessoal

Depois da chegada da Cris e crianças no Canadá, todos descansaram bastante, dormimos juntos e finalmente, amanheceu o primeiro dia depois da chegada da Cris e das Crianças no Canadá. Vi a minha vida passar de novo na minha frente, pois repetimos todos os procedimentos que eu já havia feito:

Primeiro, demos um pulo na Escola Mgr. Richard, onde as crianças irão estudar, para fazer a inscrição deles. A escola é secundária e pertence à Comissão Escolar Marguerite-Bourgeois, em Verdun. As crianças irão iniciar as Classes d'Accueil (turma de boas-vindas). Esta classe é obrigatória para as crianças que não sabem falar francês e pode durar no máximo 3 anos. Para as classes d'accueil, as crianças precisam se inscrever nas escolas próximas à sua casa. Por isso, eles foram para esta escola. À medida que o francês for se desenvolvendo, eles vão sendo avaliados e conforme for, voltam para o secondaire no primeiro ou segundo ano. Durante as classes d'accueil, eles não têm somente aula de francês, mas também matemática, educação física e artística, geografia e história e ciências. Fomos muito bem atendidos no rendez-vous e a professora fez o teste de francês com eles: zero. Não falam nada. Tudo bem, entram na turma básica. E eles entraram em uma turma que havia começado em setembro e que tinha filhos de amigos nossos brasileiros. Estão adorando e se adaptando rapidamente.

Depois da escola, fui trabalhar de manhã e de tarde a Cris e as crianças tinham mais um desafio: pegar o ônibus de casa até o centro e me encontrar. Foi realizado com sucesso! Então, fomos fazer o NAS (SIN) no Service Canada, que saiu imediatamente para todos, sem problemas de burocracia nem CSQ, e depois, fomos na mesma hora fazer a inscrição para o Assurance Maladie (seguro saúde). Aqui tem um ponto importante: como a Cris está grávida, ela recebe imediatamente a assistência do Governo do Québec, não sendo necessário aguardar 90 dias pelo cartão. Ela receberá atendimento gratuito mesmo sem o cartão, bastando apresentar o papel que o cara do RAMQ (Régie d'Assurance Maladie du Québec) deu para ela na inscrição. Tudo isso sem CSQ. Isso nos tomou a tarde inteira.

Depois disso, no terceiro dia, a Cris e as crianças vieram novamente ao centro para fazermos a carteira de ônibus das crianças, com foto. Como eles são estudantes, eles têm direito a esta carteira e pagam somente 38$ no passe mensal. Para fazer isso, fomos na sucursal da STM na estação McGill (2020, rue university). Nem precisou sair do metrô para fazer as carteirinhas. E mais um detalhe: havíamos esquecido a pasta com os documentos das crianças, mas a moça da STM fez a carteirinha mesmo assim.

Então, na semana seguinte começaram as aulas das crianças e a Cris também iniciou o seu curso de inglês, e também está gostando. Ela está fazendo o curso no Centro James Lyng, da comissão escolar inglesa. Já tem também alguns amigos brasileiros, mas tem também duas amigas iranianas que de vez em quando conversam com ela.

Pra encerrar, a nossa rotina está assim: acordamos 6h30, tomamos café juntos, então, a Cris sai primeiro, pega o 12 (vulgo "interbairros", porque só tem curitibano dentro) e vai para o James Lyng. As crianças saem logo em seguida para o próximo 12, direto para a escola. Agora, eles vão virar gente grande, pois fazem tudo sozinhos. Ganharam um celular no segundo dia, e vivem tirando fotos em tudo que é lugar!!! Eu sou o último a sair, dou uma ajeitada em tudo e pego o 168 para o centro. A Cris chega em casa por volta da 1h da tarde, as crianças chegam às 4h da tarde e eu chego entre 5h30 e 6h. E ainda tem bastante tempo para resolver tudo. De noite, a gente cozinha para o dia seguinte: eu levo uma marmita com tupperwares de comida e a Cris vem almoçar em casa. Para as crianças, existe um pacote de refeições por 17$ mensais, mas as vagas esgotaram. Então, comprei outro que custa 39$ por 10 refeições, o que também é barato, e a refeição é melhor que a anterior. Porém, como vocês podem perceber, está faltando tempo, pois já faz 3 semanas que eles chegaram e só hoje consegui escrever... Haja paciência de quem acompanha este blog!!!

Abração e a Paz
Igor Schultz

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Primeiro Dia em Montréal

Bom dia!

Seguindo a série "postagens com uma semana de atraso", seguem as novidades do primeiro dia de vida em nosso novo lar:

Estou hospedado na casa de amigos, que gentilmente me cederam o quarto do bebê. No primeiro dia, acordei com calor, pois os aquecedores (chauffage) do apartamento são bastante eficientes, e a gente fica realmente suando... Lá fora estava muito frio, mas o dia amanheceu com céu limpo, sem nuvens, então, resolvi sair para uma corridinha. Foi uma grata surpresa... O lugar onde estamos aqui é muito bonito, e tem pistas de corrida em meio a bosques de maple, tudo amarelinho e vermelho. Muitos esquilos correndo pela floresta. O cara aqui ficou impressionado... Bem, posso dizer que a primeira impressão foi "romântica".

Depois da corrida, fui para o centro fazer a primeira coisa que todo o imigrante deve fazer: o Social Insurance Number (SIN), ou Numéro d'Assurance Social (NAS). É uma espécie de CPF, que lhe dá direito a um monte de coisas. E para trabalhar, os recrutadores costumam pedir o primeiro número do NAS para saber o seu status como imigrante. O número "9" não é bem visto aqui, pois é visto temporário, ou seja, você pode ser um refugiado, e tem muito disso aqui. O meu número - confidencial - começa com "3" - residente permanente. Para fazer o NAS, bastou eu ir no Service Canada. Tem vários escritórios espalhados pela cidade. Eu fui no centre-ville (200 Blvd René Levesque ouest). Fui atendido prontamente, sem filas, e em menos de 10 minutos já estava com o NAS. Não perguntaram nada do CSQ.

Então, mais uma novidade: aqui as grandes ruas e avenidas possuem o título de "Est" e "Ouest", e para quem não está acostumado, isso pode ser um desperdício de tempo. Então, caminhei até o número 200 da René Levesque para descobrir que ele não existia, porque eu estava indo na direção "Est". Tive que voltar até o zero e começar tudo de novo na direção "Ouest"...

A primeira impressão foi a do transporte público. Aqui, você paga por tempo de uso, e não por viagem. Então, custa $2,75 por 2h de transporte. Neste período, você pode usar o que quiser: ônibus (autobus), metrô (metro), e acho que até o trem (train de banlieue). Então, já comprei um cartão para 1 semana, que me saiu $18. Por este preço, ando quantas vezes quiser durante a semana toda. Quando já estivermos com a rotina por aqui, também posso comprar o passe mensal, que custa $70 e vale do primeiro ao último dia do mês.

No centre-ville, muitas obras. Parece que a cidade inteira está em reforma. Os prédios são muito antigos (exceto os do governo, que são novos), e em cada esquina existe um lugar para alugar bicicletas e existem ciclo-faixas (pequenas ruelas sinalizadas onde só andam bicicletas) por todas as ruas. Você passa o cartão de crédito e por $5 você anda meia-hora. Isso é caro, mas se você comprar um cartão para toda a temporada (março a novembro), custa só $78. Você pode alugar só por meia-hora também, mas um colega aqui de Montréal disse que você deixa a bici em outro quiosque antes que complete-se a meia-hora e pega outra. Enfim, este transporte não é para passear. É para se deslocar rapidamente no centre-ville e outros lugares de Montréal. Sempre ao lado das estações de metro tem um quiosque de bicicleta.

A segunda atividade do dia foi me inscrever no sistema público de saúde (Régie d'Assurance Maladie). Lá a gente passa por uma rápida triagem, então, recebe uma senha e fica aguardando. Eles nos chamam e a gente vai para o guichê ser atendido. A mulher pediu o CPR (segunda-via do comprovante de residente permanente, que entregam no aeroporto) e o passaporte. Pediu também o CSQ (lá vem o golpe.... pensei). Então, falei: não tenho! E ela disse "tudo bem. Vou colocar aqui que você não tem". E precisava também do comprovante de endereço. Como ainda não tenho endereço, ela disse que este documento ficou pendente e que eu precisaria enviar um fax posteriormente para eles com uma declaração solene autenticada, com o meu hospedeiro aqui de Montréal dizendo que eu realmente resido com eles. Aqui é mais fácil, pois bancos, repartições públicas, universidades, delegacias de polícia, muitas repartições que têm fé pública podem ser usadas para autenticar assinaturas. Então, o meu hospedeiro foi depois comigo ao banco e assinou na frente do atendente. Este, por sua vez, assinou também e colocou o carimbo. Daí, enviei mais tarde por fax para eles. Espero que esteja tudo certo. O cartão de Assurance Maladie leva 3 meses para chegar.

E assim, houve uma tarde, uma manhã, primeiro dia... E seguimos com passos firmes de quem sabe onde quer chegar!!!

Abração e a Paz